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30/05/2019

| Um livro com alma dentro |


Afonso Cruz conquistou-me à primeira leitura e já é, para mim, um autor absolutamente incontornável. 
Penso, por isso, não ter distância suficiente para escrever sobre ele de forma imparcial, mas (sorte a minha) não tenho de o fazer. E ainda que essa fosse a minha intenção, como é que conseguiria, se o Princípio de Karenina, a sua última obra - sobre viagens e sobre o mundo (o nosso pequenino mundo), sobre perda e sobre morte, sobre acasos e amor - é tão falaciosamente simples e monstruosamente bonita que tenho vontade de aconselhá-la a toda a gente?

24/04/2019

| Dos livros deliciosos |


Já tinha visto várias vezes o nome de Jonathan Franzen, ou não fosse ele o autor de Liberdade, um calhamaço muito aclamado - mais dia menos dia vou comprá-lo mas tenho andado a adiar, principalmente porque o mesmo é pesado comó raio; ora, como tenho o hábito de ler antes de dormir, no conforto da cama, sei que vou ficar com dores nos braços e ter dificuldades em arranjar uma posição boa para lê-lo, pelo que ando numa fase de preparação psicológica para o dito.

20/03/2019

| Uma leitura de abrir o apetite |


Custou-me imenso digerir, na altura, o suicídio de Anthony Bourdain, por me ser uma figura tão querida. 
Sempre simpatizei com o famoso chef, era daquelas pessoas com quem me imagino horas à conversa, acho que devia ter tanto para contar…

26/12/2018

| Resoluções para 2019: ler, ler... e ler |


Este ano li menos do que o normal, muito por força da mudança de casa, de cidade e de trabalho (ok, o melhor é abreviar isto para uma mudança de vida, que foi o que na realidade aconteceu).

19/09/2018

| Dos livros encantados |


Do Mia Couto só tinha lido o Terra Sonâmbula, há uns anos, e não me ficou particularmente na memória. O que significa que devo ter achado alguma piada, mas nada por aí além.

06/06/2018

| Um livro para refletir |


Tenho por hábito ler antes de ir dormir, funciona como um comprimido-chama-sono-natural, e este livro foi daqueles que me obrigava a mudar de posição várias vezes porque me cansava os braços: é que foram 424 páginas de letra muito pequenina, como já não é normal ver-se nos livros mais recentes.

14/03/2018

| Um livro (muito interessante) para bloggers |


Quando comecei este blog, já lá vão uns anos, fi-lo sem perspetivas ou metas. Achava apenas que tinha algo a dizer, apetecia-me escrever e esta plataforma pareceu-me a mais indicada.
Todo este tempo volvido a base continua a mesma, com a diferença de que ainda tenho mais pica para escrever, bem como um conhecimento mínimo de truques e ferramentas que estão à mercê de quem se move na blogosfera.

06/12/2017

| Um livro com música dentro |



Não é pelo facto da escrita de Afonso Cruz me soar a melodias bonitas que designei assim este post. É antes porque este livro é sobre Erik Gould, um pianista exímio que, mais do que respirar música por todos os poros, é capaz de visualisar sons e pintar retratos nas teclas do piano. É por causa desse dom que Erik é considerado pela CIA a pessoa perfeita para encabeçar uma missão - designada de Jazz Ambassadors - que visa levar ao bloco de Leste comunista a influência libertadora ocidental através da música, fazendo derrubar barreiras e preconceitos anti-América (atenção que esta operação existiu de verdade e prolongou-se para lá da Guerra Fria). 

12/10/2017

| Dos livros da minha vida |


A minha luta com Saramago não foi fácil. O primeiro livro do autor que comecei a ler foi o famoso Memorial do Convento e, poucas páginas passadas, desisti dele. O mesmo se passou com As Intermitências da Morte: li mais de metade do livro, estava a gostar imenso (apesar de considerá-lo difícil) mas houve ali um momento em que algo - não sei muito bem o quê - aconteceu e acabei por deixá-lo de lado.

17/07/2017

| Então e essas leituras? |


Há tantos e tantos livros, que me recuso a ler até ao fim um de que não esteja a gostar, ou que me esteja a custar ler. Não faz sentido, certo?

30/03/2017

| Just kids |


Antes de ler este livro (já o queria fazer há anos) sabia que Patti Smith era um nome incontornável do rock'n'roll. Descobri, entretanto, que Patti é muito mais do que isso: ela é poeta, ela desenha, ela compõe, ela é artista visual, ela é uma profunda conhecedora dos grandes nomes da literatura e da música, ela é o que se pode designar de uma artista na plenitude da definição.
Foi a sua inaptidão para 'ter uma vida normal', o amor à arte e à criatividade, um espírito livre e sonhador e uma vontade muito grande de se fazer artista que a levaram até Nova Iorque, com quase dinheiro nenhum no bolso.

26/12/2016

| Dos livros deliciosos |


'Creio que, numa relação, o beijo terá sempre de manter a densidade do primeiro, a história de uma vida, todos os pores-do-sol, todas as palavras murmuradas no escuro, toda a certeza do amor.'

27/07/2016

| Um livro obrigatório |


Este romance ganhou o prémio Leya 2014 por unanimidade e acho que foi uma escolha justíssima.
Nele, Afonso Reis Cabral discorre sobre a relação entre dois irmãos, um deles com síndrome de Down, nunca caindo no sentimentalismo gratuito que é fácil associar a este tipo de situações. É, antes, de uma realidade absolutamente crua, até cruel por vezes, mas sempre maravilhoso. 
Mais do que nos mostrar o que sente um familiar próximo de uma pessoa com uma deficência, o autor acaba por retratar a sociedade de uma forma inteligente e frontal.
O que mais me surpreendeu foi a maturidade da escrita de Afonso já que, tendo sido este livro publicado em 2014, ele teria, no máximo, 22 ou 23 anos quando o escreveu. E não é nada normal nem comum um jovem com esta idade ter a capacidade de escrever um romance tão denso e intenso, com tanta vida dentro. De se lhe tirar o chapéu.
Uma curiosidade: o autor é trineto de Eça de Queiroz mas, na minha opinião, o talento é todo dele.

11/05/2016

| Dos livros encantados |



Quem lê sabe que, se na maioria das vezes nós escolhemos os livros que lemos, outras situações há em que são eles que nos escolhem. Não sei bem explicar, mas há um qualquer detalhe, um chamamento estranho e indecifrável, que nos leva a trazer aquele livro para casa e a fazê-lo nosso.
Foi isso que sucedeu comigo e com este 'A história do amor': assim que o vi, numa feira do livro em Lisboa, peguei-lhe imediatamente e só descansei quando acabei de o ler.
Neste romance, a promissora Nicole Krauss (fiquei com vontade de ler tudo o que ela escreveu) conta a história de um jovem judeu polonês que escreve um livro sobre o amor e a existência, mas é obrigado a deixá-lo para trás, juntamente com a mulher que o inspirou, quando a Polónia foi tomada pelos nazis.
Muitos anos depois, o mesmo livro reaparece para unir personagens muito diferentes, que vivem em locais longínquos. 
Esta é uma obra sólida, nada previsível (houve momentos, aliás, em que me senti irritada por não estar a perceber onde é que aquilo ia dar) e absolutamente deliciosa. 
A ler, claro! :) 

17/03/2016

| Dos livros icónicos |


Acho que ouço falar deste livro desde os meus 16  anos, mas só agora calhou lê-lo. Este romance autobiográfico não tem uma história tradicional, é antes a viagem interminável de 2 amigos pela América do pós-guerra, que começou quando Sal Paradise (alter-ego de Jack Kerouac) parte com 50 dólares no bolso para ir visitar Dean, que vivia em Denver.
Percebo a importância e a febre que se gerou à volta deste romance pelo facto do mesmo se ter transformado num hino da Geração Beat, escrito em tom rebelde e contestatário. E em 1957, data da sua publicação, imagino que não seria muito normal a escrita ao estilo Kerouac, direta, simples e sem floreados, em jeito pop art.
No entanto, não posso afirmar ser um daqueles livros que me deslumbraram; demorei quase 3 meses a lê-lo (o que, em mim, não é nada normal, já que consumo livros a uma velocidade bastante acima da média) e, por vezes, achei-o um bocadinho chato.
Impressionante é que Kerouac escreveu este livro em 3 semanas, e olhem que ele não é nada pequeno.
Ah, esperem, foi à base de café e anfetaminas, que mantiveram o autor acordado durante dias (pois, assim já se percebe melhor).


04/01/2016

| Um dos melhores livros de 2015 |



No ano que passou li muito (tal como tenciono fazer este ano), e este foi um dos que mais gostei. A sério, ficou-me mesmo no coração!
Em 'Homer & Langley' E. L. Doctorow (um autor americano que morreu o ano passado) narra a história de dois irmãos inadaptados, excêntricos e contra-corrente, pelos quais me apaixonei ao fim de algumas páginas. Não obstante a sua história seja trágica é, ao mesmo tempo, deliciosa e comovente: Homer, o narrador, tornou-se cego num processo demorado e Langley, louco e genial em igual medida, é um personagem transformado pela guerra que coleciona tudo e mais alguma coisa.
Só no final do livro é que percebi, através de uma nota do autor, que Homer e Langley haviam sido reais e, claro, fui logo para o Google pesquisar: os irmãos Collyer ficaram famosos por terem sido encontrados mortos na sua casa na Quinta Avenida, soterrados no meio do lixo que acumularam durante a sua vida. Se tiverem curiosidade, podem ficar a saber mais sobre a sua história aqui.
Voltando ao livro, uma pequena obra-prima que merece ser lida, é bom demais.    

11/12/2015

| Uma proposta de leitura de um dos meus escritores de eleição |

Sou fã confessa de Paul Auster; já li uma série de livros dele e não tenciono parar até ler toda a sua obra. 
'Música do Acaso' não é  um dos meus livros preferidos do escritor, mas não deixa de ser inesperado: foram várias as vezes em que as personagens me surpreenderam e, why not, me deslumbraram, principalmente por me ajudarem a perceber o quão diversa e opaca é a mente dos homens.
Escrito em 1990, conta a história de Jim Nashe, um bombeiro nova-iorquino apaixonado por música, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos, só ele e o seu carro, pouco depois de ter sido abandonado pela mulher, e após receber uma herança inesperada do seu pai, que não conheceu.  
A partir daí sucede-se uma série de acasos - quase nunca felizes - e é facilmente reconhecível o punho de Auster: este é um livro sobre liberdade, solidão, melancolia, destino, angústia e arbitrariedade, temas muito comuns na obra do escritor.
No fundo, penso que a pergunta-chave que define 'Música do Acaso' é: será que temos o mínimo de controlo sobre a nossa vida?




23/11/2015

| Uma proposta de leitura descontraída |



O segundo romance de Maria Semple (de 2012), guionista de televisão e cinema, foi considerado o melhor livro do ano por publicações como, por exemplo, o The New York Times, e o público parece ter concordado, já que me fartei de ler críticas muito positivas sobre o mesmo.
A história centra-se na personagem de Bernardette Fox, uma arquiteta revolucionária completamente anti-social - casada com um guru da Microsoft e mãe de uma jovem muito promissora, a Bee -, que um dia desaparece sem deixar rasto. E mais não conto para não estragar a surpresa.
De tom irónico e sarcástico, tem passagens muito engraçadas, mas não deixa de ser uma grande crítica à sociedade atual. 
Embora me pareça um pouco exagerado ter sido considerado o livro do ano, é um bom romance, que se lê num instante, muito por causa da escrita simples e muito fluída.
Um dos aspetos que mais gostei foi o facto do narrador 'aparecer' muito pouco, já que a história é-nos maioritariamente contada através de e-mails, comunicados, cartas, mensagens, relatórios, etc. Verdadeiramente inovador!
O final desiludiu-me um pouco mas não é por isso que não o recomendo: dá para passar uns belos minutos de leitura descomplicada.

02/11/2015

| Começar a semana a ler |



Se forem ao Google pesquisar frases de Bukowski, elas vão aparecer-vos às dezenas, em proporção ao seu talento.
Nascido na Alemanha mas tendo vivido e morrido na América, foi um autor muito especial - bebia como se não houvesse amanhã, não gostava nem acreditava especialmente na humanidade e era altamente crítico da sociedade e de si próprio -, que lançou mais de 45 obras, entre romances, contos e poesia.
Este 'Hollywood', que terminei de ler há pouquíssimo tempo e que me encheu as medidas (tendo-me provocado muitas gargalhadas) data de 89 e narra, de forma ficcional, mas pouco, as aventuras de Bukowski enquanto escrevia o guião e era produzido o filme 'Barfly'.
Escrito com uma linguagem muito simples, e considerando que esta é uma obra altamente biográfica, o autor discorre sobre todos os que com ele conviveram nesta altura, mal se preocupando em trocar os nomes dos personagens. Logo, de uma sinceridade desarmante, a que não estamos habituados.
Obrigatório conhecer. 
Quer o livro, quer Bukowski, o eterno enfant terrible.
 

09/10/2015

| Uma história a conhecer |




Embora não seja o tipo de literatura que normalmente consumo, uma colega aconselhou-me a ler e assim o fiz. 
Este best seller (vendeu que nem pães quentes) retrata a vida de Mariam e Laila, duas mulheres a quem a tradição e a morte obrigam a partilhar o mesmo marido, num Afeganistão recente devastado por perturbações sócio políticas brutais.
Não a considero uma obra brilhante, mas consegue cumprir perfeitamente o objetivo: o autor - o afegão Khaled Hosseini - conta uma história muito dura de uma forma fluída e clara, história essa que mais não é do que o retrato de uma sociedade afegã demasiado antiquada e machista, em que as mulheres são tratadas abaixo de cão (desculpem-me a frontalidade, mas não há forma mais suave de o dizer).
Aconselho a ler, nem que seja para se perceber um pouco melhor a crueza da humanidade (que, maioria das vezes, preferimos fingir não existir).